ESTOU TRISTE!
Acompanhei durante três dias, a minha filha Beatriz, durante a sua participação no Campeonato Nacional de Jovens de Golf.
A minha tristeza não advém do facto de ela não ter conseguido atingir o objectivo a que nos tínhamos proposto, ela como jogadora e eu como pai/treinador, a vitória no campeonato.
Nem tão pouco fiquei triste, depois de durante estes três dias, ela ter feito 22 acima do par em apenas 4 buracos. O que significa, que quatro bogeys nestes “maus” buracos lhe dariam a vitória isolada por quatro pancadas no campeonato. Mas o golf é tão apaixonante precisamente por causa disto.
Estou triste, porque presenciei e soube de coisas que me deixam angustiado relativamente ao futuro, pois os homens e as mulheres de amanhã que pisaram o paradisíaco campo da Aroeira, numa tentativa de vencer a qualquer custo, em nada dignificaram aquilo que, e citando o meu grande amigo Miguel Nunes Pedro, é o verdadeiro espírito e cultura do golf.
Estou triste, porque após eu ter no primeiro dia assistido a Beatriz por causa de uma cãibra e mais tarde lhe ter trazido o saco desde o green do último buraco até ao Club-House, a sua parceira tentou numa atitude rebuscada e sem carácter, desclassificá-la no último dia após o final da competição.
Estou triste, porque essa mesma parceira, após a Beatriz lhe ter chamado á atenção para o facto de em determinado buraco ter marcado a bola de forma errada, foi incapaz de junto á mesma comissão técnica em que tentou a desclassificação, auto penalizar-se.
Estou triste porque a minha filha recebeu uma mensagem de uma das suas parceiras na noite anterior ao último dia dizendo: “não te sintas pressionada pois estou 14 pancadas á tua frente”.
Estou triste, porque a grande quantidade de amigos de uma das parceiras da Beatriz, apenas aplaudiram as boas pancadas da amiga, mantendo um silêncio mórbido sempre que uma das outras jogadoras deram bom “shots”, e não foram poucos.
Estou triste, porque mesmo depois de a competição ter acabado, a minha filha recebeu mensagens numa tentativa clara de a rebaixar e a fazer sentir menos Mulher do que aquilo que ela é.
Estou triste por ver o sorriso de todas estas crianças desaparecer no tee do número 1, dando a sensação que se dirigiam para um sacrifício.
Estou triste, porque jogo golf há 30 anos e ainda hoje mantenho como amigos todos os meus “adversários” da minha infância e pela forma como as coisas estão a evoluir daqui a uns anos, numa previsão que poderão considerar catastrófica, algumas partidas vão acabar á pancada.
Estou triste porque sei que muitas destas atitudes são muitas vezes incutidas e encorajadas pelos pais e pelos treinadores destas crianças.
Estou triste porque o futuro do golf está comprometido.
Desculpem este desabafo de um pai e treinador que ESTÁ TRISTE.
15/07/10
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